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Campos Neotropicais
Cerrado
Fragmentos de mata no cerrado brasileiro.
  Campos neotropicais abrigam uma ampla variedade de plantas e animais e cobrem uma gama de tipos de hábitats e regiões.


DEFINIÇÕES ECOLÓGICAS E REGIONAIS

Nós usamos os termos “Neotropical” e “campos” em sentido amplo.

Neotropical – No sentido mais estrito, a área no Novo Mundo entre as latitudes tropicais (graus 23.5). Aqui, Neotropical é definida como a região biogeográfica das Americas Central e do Sul.

Campos Neotropicais – Cobrem uma gama de habitats e regiões. De áreas úmidas permanentemente alagadas a savanas ciclicamente secas e alagadas, estas regiões suportam uma ampla variedade de plantas e animais.

Savanas –Áreas abertas nas quais os capins predominam no estrato herbáceo e onde secas sazonais e incêndios freqüentes são fatores ecológicos normais. Savanas podem possuir árvores e arbustos, mas nunca formando um dossel contínuo.

Áreas úmidas – Similares às savanas, mas sem incêndios ou secas sazonais; predomínio de capins outros que aqueles das famílias Graminae e Cyperaceae.


ECOSSISTEMAS FINANCIADOS PELA NGC

Grasslands of South America
Clique no mapa para ampliar.

Savanas cobrem cerca de 23 milhões de kilômetros quadrados, ou aproximadamente 45% da América do Sul. As savanas americanas compreendem ambientes distintos no que se refere aos seus climas e solos.

Caatinga –Áreas de vegetação arbustiva do nordeste do Brasil, estende-se por cerca de 800.000 kilômetros quadrados. As caatingas praticamente não exibem capins e apresentam mais umidade durante a estação seca. Não se qualifica como cerrado visto que o substrato dominado por capim é praticamente inexistente.

Cerrado – Savanas brasileiras. Há um amplo espectro de densidade de árvores nas savanas, especialmente nas savanas bem drenadas; estas variam de campos plenos a florestas. No Brasil, os tipos de savanas são referidos como:

  • campo limpo (campos com capins apenas)
  • campo sujo (campos com alguma vegetação arbustiva)
  • campo cerrado (savana aberta)
  • cerradão (savana de vegetação mais cerrada, quase uma mata)

    Clique aqui para obter mais informações sobre os cerrados.

    Chaco – Vegetação arbustiva e seca, cobre 900.000 kilômetros quadradros, estende-se do norte da Argentina ao sul da Bolívia, cruzando o Paraguai.

    Espinal – Bosques secos que margeiam áreas de campos abertos.

    Matas de Galeria – Vegetação que margeia córregos e rios. Comparável aos hábitats ripários da América do Norte.

    Lhanos – Campos e áreas úmidas sazonalmente inundáveis da Venezuela, Colômbia e Bolívia. Comparável ao Pantanal.

    Monte – Estepes arbustivas e bosques incipientes.

    Pampas – Campos temperados da Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai, que cobrem cerca de 777.000 kilômetros quadrados.

  • Pantanal – Campos e áreas úmidas sazonalmente inundáveis que ocorrem ao longo do complexo riverino Paraná-Paraguai no Brazil. Essas áreas são comparáveis aos lhanos.

    Patagônia – Campos temperados e semi-áridos.

    Puna – Campos de altitudes elevadas e páramos dos Andes.

    Savanas Regionais e Áreas Úmidas – Pequenas manchas de savanas arbustivas dentro da Bacia Amazônica, provêem corredores entre o Pantanal e os lhanos.


    O QUE É UMA SAVANA TROPICAL?

    O termo savana é derivado de sabana, expressão de origem ameríndia. No período pré-colombiano, o termo era usado no Haiti e em Cuba em referência às planícies sem árvores, mas coberta com vegetação herbácea alta. Atualmente, essa palavra é usada em espanhol cotidiano em referência às paisagens de campinas planas que possuem ou não alguns arbustos ou árvores. É também usado na Venezuela como oposto a mata (um fragmento de mata isolado, como insular no meio de uma paisagem aberta), ou montaña (floresta, em uso comum).

    No Brasil, o termo campo é usado, invés de savana, em referência às formações de campinas abertas (campos cerrados, em sentido amplo); tanto campo como savana são usados na Argentina.
    • Apesar de sua grande diversidade, as savanas neotropicais são encontradas exclusivamente em áreas tropicais quentes e úmidas. Sua característica essencial é sua cobertura herbácea de capins e junquinhos, frequentemente com um estrato arbustivo esparso.
    • Todas as savanas são sistemas intrinsicamente sazonais. Há sempre um período de atividade reduzida do estrato herbáceo, coincidindo com uma estação seca (i.e., xeropausa). A esta xeropausa, comum a todas as savanas, pode se seguir um oposto estresse, gerado por um excesso de água.
    • Muitos ecossistemas tropicais baseiam-se na economia de nutrientes essenciais; contudo, florestas tropicais ocupam solos de ricos a pobres, enquanto os campos exitem apenas em sobre solos pobres. O suporte das florestas geralmente depende dos nutrientes contidos na vegetação, enquanto os campos, cujo ciclo de nutrientes mais rápido exclui a possibilidade de guardar grandes reservas de biomassa, dependem dos solos como sua fonte de nutriente primária.
    • A carência de nutrientes dos solos das savanas é em grande parte independente de sua vegetação, visto que isto deve-se principalmente às condições climáticas e de formações do solo. Contudo, uma vez que uma floresta é convertida em savana, incêndios e o baixo estoque de biomassa tendem a intensificar o empobrecimento de nutrientes. Em contraste, o ciclo de nitrogênio orgânico é ocorre principalmente na decomposição lenta da biomassa , de modo que há pouco nitrogênio que não é incorporado imediatamente na biomassa de produtores e decompositores.
    Em termos de uso da terra e produção potencial, as savanas são divididas em duas categorias amplas.

    Savanas mal drenadas – Extensas faixas de savana com predomínio de solos pobremente drenados ou solos sazonalmente inundados cobrem o pantanal mato-grossense no sudoeste do Brasil, os lhanos de Moxos bolivianos, o pantanal do Araguaia no sudeste da Amazônia, os lhanos de Casanare e Apure colombianos e venezuelanos e grande parte da Ilha de Marajó, na desembocadura do rio Amazonas. Elas também incluem as savanas Humaita no sul da Amazônia, as savanas Rupununi da Guiana, as savanas costeiras das Guianas e as savanas de Belize.

    Muitas dessas savanas têm solos Alfisol e Ultisol, os quais são caracterizados por possuirem argila texturizada, e por compreenderem solos relativamente impermeáveis. Devido à topografia plana, a drenagem é lenta e os solos tornam-se inundados na estação chuvosa.

    Savanas bem drenadas – Aproximadamente 80% das savanas tropicais americanas são predominantemente bem drenadas. Sua fração principal cobre o centro do Brasil (100-1200 metros) e é localmente chamada cerrado. Extensões menores são encontradas no leste boliviano sobre o Escudo Pré-Cambriano (400-800 metros), próximo ao nível do mar no norte da Bolívia e nos lhanos colombianos, principalmente ao sul do rio Meta. Elas são encontradas também nos lhanos venezuelanos ao norte do rio Orinoco, como parte das savanas da Boa Vista no norte da Amazônia e no Cerrado do Amapá em pequenas áreas do banco norte da desembocadura do rio Amazonas. Uma grande porção desses terrenos possui solos Oxisol, incluindo, dentre a categoria dos solos pobres, alguns dos mais ricos em nutrientes dos trópicos.

    Os Capins predominam e pertencem exclusivamente a Panicoidea. No Brasil central, o gênero dominante é Trachypogon, seguido por Axonopus, mas Agenuium, Aristidia, Echinolaena, Elyonurus, Mesosetum, Panicum, Paspalum, e Schyzachyrium, são outros gêneros também representados. Espécies leguminosas são comuns, especialmente nas savanas mais frias, incluindoStylosanthes, Desmodium, Zornia, Centrosema, Aeschynomene e Arachis.

    Arbustos e árvores provêm até 60% da cobertura durante a estação seca em áreas bem drenadas. Incêndios tradicionais que ocorrem durante a estação seca são usados frequentemente como estímulo de crescimento e para restituir ao solo o cálcio que havia sido utilizado para formação do capim.

    Aproximadamente 750.000 kilômetros quadrados de savana bem drenada apresentam-se aptos como terras cultiváveis ou para criação de gado. Essas áreas cobrem grandes extensões dos cerrados brasileiros, dos lhanos venezuelandos e, em grau menor, colombianos, e dos pampas bolivianos. Em contraste, outros 800.000 kilômetros quadrados de savana bem drenada com micro topografia inapropriada ao cultivo e mais outros 450.000 kilômetros quadrados em áreas de savana mal drenada representam, juntos, terras inviáveis a tais práticas de produção.

    Atualmente, as savanas da América tropical sustentam um total estimado de 65 milhões de cabeças de gado, as quais incluem cerca de 46 milhões nos cerrados brasileiros (IBGE 1983). Espera-se que essa população alcance 250 milhões em 2003.

    As savanas constituem aproximadamente um terço da superfície da Venezuela. Os lhanos entre a Colômbia e a Venezuela cobrem uma superfície aproximada de meio milhão de kilômetros quadrados, o que constitui a maior superfície initerrupta de savanas neotropicais ao norte do equador.

    A área Precambriana do Escudo das Guianas também possui regiões amplas de savanas com extensões isoladas que se prolongam de forma interdigitada em direção à costa Atlântica, formando um arco entre a Guiana e a foz do Amazonas. A América Central e as ilhas das Antilhas também apresentam savanas de dimensões variadas.


    FONTES E LEITURA ADICIONAL:

    Bourlière, F. (ed) (1982) Tropical savannas. (Ecosystems of the World 13). Amsterdam: Elsevier.

    Bullock, S.H., Mooney, H.A. and Medina, E. (eds) (1995) Seasonally dry tropical forests. Cambridge: Cambridge University Press.

    Chandler, C., Cheney, P, Thomas, P., Trabaud, L. & Williams, D. (1983)Fire in forestry. Vols I & II. New York: Wiley-Interscience.

    Cole, M.M. (1986) The savannas: biogeography and geobotany. London: Academic Press.

    Crutzen, P.J & Goldammer, J.G. (eds) (1993) Fire and the environment: the ecological, atmospheric, and climatic importance of vegetation fires. Chichester: John Wiley.

    Furley, P.A., Proctor, J. and Ratter, J.A. (eds) (1992) Nature and dynamics of forest-savanna boundaries. London: Chapman & Hall.

    Goldammer, J.G. (ed) (1990) Fire in the tropical biota: ecosystem processes and global challenges. Berlin: Springer-Verlag.

    Huntley, B.J. and Walker, B. H. (eds) (1982) Ecology of tropical savannas. Berlin: Springer-Verlag.

    Koslowski, T.T. & Ahlgren, C.E. (eds) (1974) Fire and ecosystems. New York: Academic Press.

    Sarmiento, G. (1984) The ecology of Neotropical savannas. Cambridge, Mass.: Harvard University Press.

    Solbrig, O. (ed) (1991) "Savanna modelling for global change." Biology International (Special Issue) 24. Paris: IUBS.

    Stott, P. (1991) "Recent trends in the ecology and management of the world’s savanna formations." Progress in Physical Geography 15: 18-28.

    Stott, P. (1994) "Savanna landscapes and global environmental change." In Global environmental change, edited by Neil Roberts. Cambridge, Mass.: Blackwell, pp. 287 - 303.

    Sullivan, S. (1996) "Towards a non-equilibrium ecology: perspectives from an arid land." Journal of Biogeography 23: 1-5.

    Tothill, J.C. and Mott, J.J. (eds) (1984) Ecology and management of the World’s savannas. Australian Academy of Science: Canberra.

    Walker, B.H. and Ménaut, J.C. (eds) (1988) Research procedure and experimental design for savanna ecology and management. (RSSD Australia Publication 1). CSIRO for IUBS/Unesco MAB: Melbourne.

    Whelan, R.J. (1995) The ecology of fire. (Cambridge Studies in Ecology). Cambridge: Cambridge University Press.

    Young, M.D. and Solbrig, O.T. (1992) Savanna management for ecological sustainability, economic profit and social equity. (MAB Digest 13). Paris: UNESCO.

    Young, M.D. and Solbrig, O.T. (eds) (1993) The world’s savannas: economic driving forces, ecological constraints and policy options for sustainable land use. (MAB 12). Paris and Carnforth: UNESCO & Parthenon Press.


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